terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Detran/RS libera ensino médio para formação de condutores

Os alunos das escolas públicas e privadas do Estado poderão realizar a formação teórico-técnica em direção veicular juntamente com o currículo do Ensino Médio. A formação assim obtida permitirá que o estudante, após aprovação em prova teórica realizada pelo Detran/RS, agende em um Centro de Formação de Condutores as demais fases de seu processo de habilitação.

De acordo com a Portaria 428/10, do Detran/RS, que regulamenta o tema, as escolas interessadas deverão encaminhar solicitação de autorização de curso ao Detran/RS remetendo formulário, dados do professor em exercício na escola que será responsável pelo curso e projeto, documentos detalhados na portaria. Para ministrar as aulas dessa atividade nas escolas credenciadas, o instrutor teórico deverá estar com seu credenciamento regularizado junto ao Detran/RS e cumprir os critérios estabelecidos pelo Contran para o exercício da profissão.

A Portaria 428/10 leva em consideração que a educação para o trânsito deve ser promovida nas escolas, nos diferentes níveis de ensino, por meio de planejamento e ações coordenadas entre os órgãos e escolas do Sistema Nacional de Trânsito. A Resolução 265/2007 do Contran prescreve a competência do órgão executivo de trânsito estadual para examinar a documentação apresentada, fiscalizar as condições físicas e materiais da escola requerente, estabelecer, quando necessário, exigências a serem cumpridas em prazo determinado e conceder autorização às escolas para o funcionamento do curso.

A carga horária mínima do curso será de 90 horas-aula, que deverão ser distribuídas nos três anos do Ensino Médio, nos três últimos anos nas escolas que mantém o Ensino Médio em quatro anos, ou ainda nos dois últimos anos do curso. Considera-se hora-aula, nesse curso, em conformidade com a Resolução n.º 285/2008 do Contran, o período de cinqüenta minutos.

O aluno que participar do curso teórico-técnico e apresentar o percentual de freqüência igual ou superior a 75% em cada módulo receberá o certificado de participação, e após a realização do exame de aptidão física e mental e da avaliação psicológica, o Centro de Formação de Condutores fará a validação do aproveitamento e liberará a realização do exame teórico, sem necessidade de participação no curso teórico-técnico do CFC.

Publicada em 06/12/2010, às 11h28min

Fonte: www.detran.rs.gov.b

Brasil avança em ranking de educação, mas ainda ocupa 53º lugar

O Brasil teve a terceira maior evolução na área educacional ao se considerar as médias de 65 nações, de acordo com os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), realizado a cada três anos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e divulgado hoje

O país conseguiu superar a barreira dos 400 pontos em leitura e ciências, mas ficou abaixo desse patamar em matemática. O resultado, no entanto, ainda está longe de ser positivo. Nas três áreas, pelo menos a metade dos jovens brasileiros não consegue passar do nível mais básico de compreensão.

O Brasil ocupa apenas o 53º lugar no ranking. O país melhor posicionado na região é o Chile (44º), seguido por Uruguai (47º), México (48º), Colômbia (52º), Brasil (53º), Argentina (58º) e Peru (63º).

O Pisa avalia estudantes de 15 anos completos em todos os países membros da OCDE, mais os convidados - como Brasil, México, Argentina e Chile, entre outros. Em 2009, ano da prova mais recente, foram selecionados 400 mil jovens em todo o mundo, incluindo 20 mil brasileiros de todos os Estados. A escolha pela faixa etária permite uma comparação entre os diferentes países, mesmo que os sistemas de ensino sejam diferentes.

Evolução

A matemática ainda é o ponto mais fraco dos estudantes do País. Apesar de ter subido 16 pontos, a média nacional - de 386 - ainda fica 111 pontos abaixo da média da OCDE. Em ciências, a média brasileira subiu 15 pontos e chegou a 405, enquanto em leitura, onde houve a maior evolução - 17 pontos -, alcançou 412.

Os melhores números, no entanto, ainda deixam uma boa parte dos alunos pelo caminho. Em leitura, quase metade dos brasileiros avaliados alcança apenas o nível 1. Em três anos, houve uma melhoria de apenas 6 pontos percentuais. O nível 1 significa que esses adolescentes são capazes de encontrar informações explícitas nos textos e relacioná-las com o cotidiano deles. E só. Não são analfabetos, mas têm somente o grau mínimo de habilidade de leitura.

Em matemática, 69% dos estudantes do País chegam apenas ao nível 1, contra 73% em 2006. Esses jovens não conseguem ir além dos problemas mais básicos e têm dificuldades de aplicar conceitos e fórmulas. Na avaliação da OCDE, eles teriam inclusive dificuldades de tirar proveito de uma educação mais avançada.

Em ciências, 54,2% dos brasileiros avaliados ficaram no nível 1 - ou seja, conseguem apenas entender o óbvio e têm enormes dificuldades de usar ou compreender essa disciplina. Em 2006, 61% estavam nesse patamar.

Na outra ponta, apenas 1,3% dos estudantes atinge os níveis 5 e 6 em leitura, 0,8 % em matemática e 0,6% em ciências.

A evolução revelada na prova foi comemorada pelo governo, já que em apenas três anos o País conseguiu mostrar, pela primeira vez, resultados consistentes. Entre 2003 e 2006, a média geral brasileira havia crescido apenas um ponto. Em leitura, havia caído 10, e permanecido estável em ciências. Apenas matemática havia crescido. Nesta edição, o Brasil conseguiu superar, na América Latina, Colômbia e Argentina, mas ainda está atrás do Chile, Uruguai e México.

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/07122010/25/manchetes-brasil-avanca-ranking-educacao-mas.html

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Saúde na educação

Quando adolescentes entram irritados em suas próprias casas, atirando coisas, gritando com os próprios familiares; quando os políticos, mais uma vez, vão dizer nos espaços gratuitos de televisão e rádio que vão dar prioridade à educação; quando os professores são expostos à marginalidade infanto-juvenil, agredidos diariamente, cuspidos, ofendidos, impedidos de desempenhar suas atividades, e nada podem fazer, concluímos que existe uma crise pior do que a financeira.

É a crise de valores outros que atinge toda a sociedade, as famílias, os pais, os adolescentes e as crianças (que serão o futuro do Brasil). É a crise da falta de respeito geral e em especial pelos professores. Será que a impunidade não está contribuindo para que num futuro próximo esses adolescentes, já adultos, cometam infrações, as mais variadas e graves, aumentando a superlotação dos presídios?

Historicamente mal remunerados e pouco valorizados, professores se encolhem, por falta de apoio dos órgãos competentes permitindo abusos inimagináveis até bem pouco tempo atrás.

Impotência diante desses fatos é o que sentem os professores. O Estatuto da Criança e do Adolescente não é cumprido na íntegra, sendo usado na maioria dos casos para referendar as atitudes absurdas dos alunos e as omissões dos pais, sem uma análise mais ampla de todo o contexto dos fatos. O próprio direito de trabalhar do professor é cerceado. E, o direito das outras crianças que estão em sala de aula e querem aprender, como fica? Os professores se retraem, os diretores têm medo e as autoridades não querem enxergar. Mas prometem sempre que, se forem eleitos, darão prioridade para educação e saúde.

Por falar nisso, a saúde dos professores vai de mal a pior com o estresse crescente no ambiente de trabalho em função de tudo isso. Alta incidência de uso de medicamentos antidepressivos, de hipertensão arterial, diabetes e outros danos físicos e mentais. E, mais que isso, os professores estão sofrendo de fobia escolar, antes um distúrbio psicológico exclusivo das crianças.

O professor que desenvolve fobia escolar sente um pavor da escola e da sala de aula, com um quadro que inclui palpitações, tremores e cefaleia. Como diz Lya Luft: “Todos os indivíduos, não importa a conta bancária, profissão ou cor dos olhos, podem reverter esta outra crise: a do desrespeito geral que provoca violência física ou grosseria verbal em casa, no trabalho, no trânsito”.

Vamos acordar enquanto é tempo

Renato Knijnik - médico

Fonte: Zero Hora

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Dicas para evitar o surgimento de problemas vocais

Profissões que abusam da fala exigem ainda mais cuidados

Rouquidão e pouca intensidade vocal são comuns entre profissionais que dependem da voz para trabalhar. A maioria enfrenta esses problemas por não tomar cuidados básicos, como beber água

Em determinadas profissões, a voz representa um importante instrumento de trabalho. Professores, atendentes de telemar-keting, cantores, atrizes são alguns exemplos. Por isso, é fundamental que tais profissionais tenham o mínimo de conhecimento sobre a produção vocal, assim como os cuidados necessários para manter uma voz sempre saudável.

As maiores queixas nos consultórios de fonoaudiologia são rouquidão, perda de voz, baixa intensidade vocal e dores durante a fala. Quem confirma isso é o fonoaudiólogo Danilo Montovani:

– A incidência de casos com alterações de pregas vocais acarretando disfonias (as alterações na qualidade vocal) e até mesmo a afonia (perda total da voz) é relativamente alta no meu consultório.

Falar alto o tempo todo e, na maioria das vezes, tentar se sobressair perante uma turma de 30 alunos deixa a professora Fátima Rodrigues quase sem voz quando chega o fim da semana.

– Dou aula para crianças do ensino fundamental. Muitas vezes, preciso competir com a gritaria deles para que eu possa ser escutada. Isso desgasta muito a minha voz – afirma.

Depois de tanto forçar a garganta, o diagnóstico quase sempre fica entre dois problemas: nódulos ou fendas vocais. Foi o que aconteceu com a atriz Ana Paula Resende. Ao ser convidada para participar de um musical, ela não conseguia usar a voz adequadamente na hora de cantar, o que acabou a desgastando. Depois disso, não deu outra: os popularmente conhecidos calos vocais.

– Procurei uma fonoaudióloga e fiz um tratamento específico. A disciplina é essencial para obter êxito. No meu caso, acabei faltando a algumas sessões e o resultado foi péssimo. Caí para reserva do elenco do musical – lamenta.

Fátima também teve os nódulos e chegou a ficar quase dois meses afastada da salas de aula para se recuperar. Mas depois de quase 22 anos na profissão, ela acaba passando por cima das dificuldades e segue na atividade que ama.

– Cheguei a fazer tratamento com fonoaudiólogos, mas parei. Não tive mais tempo e sigo a minha rotina com alguns cuidados. Faço gargarejo assim que acordo e durante o dia inteiro para amenizar o incômodo – afirma a professora.

Segundo dados da Academia de Laringologia e Voz, cerca de 2% dos professores brasileiros estão afastados da sala de aula por apresentarem distúrbio vocal.

Sem cirurgia

Por isso, o fonoaudiólogo Montovani sugere o acompanhamento sempre. Caso a rouquidão persista por mais de 15 dias, é recomendável que um especialista seja procurado.

– As alterações de pregas vocais causadas pelo mau uso vocal ou por alterações fisiológicas são tratadas a partir da intervenção terapêutica fonoaudiológica – diz Montovani. Segundo ele, as patologias vocais ocupacionais raramente precisam de intervenção cirúrgica.

Montovani recomenda ainda que o uso de balinhas e sprays deve ser evitado.

– Geralmente, eles contêm álcool em sua composição, que promove efeito anestésico nas pregas vocais. Isso diminui a sensação de desconforto durante a fala e as pessoas cometem muitos abusos vocais, já que não sentem mais a dor – explica.

Terminado o efeito anestésico, a sensação de desconforto volta, fazendo com que esses produtos tenham um efeito apenas paliativo.

Cuide-se: confira dicas que podem evitar o surgimento de problemas vocais

:: Beba em média dois litros de água por dia. De preferência, em temperatura ambiente. Enquanto estiver falando, beba alguns goles de água.
:: Evite sempre que possível qualquer competição sonora. Gritar provoca intenso atrito nas pregas vocais, o que pode lesioná-las.
:: Prefira locais com temperatura ambiente. O ar condicionado em baixa temperatura é um inimigo para as cordas vocais.
:: Não fume. A fumaça do cigarro irrita a mucosa da laringe, além de ressecá-la. As bebidas alcoólicas também devem ser evitadas, pois anestesiam a voz e diminuem a sensibilidade.
:: Evite o consumo de leite, chocolate e seus derivados antes de intensa atividade vocal. Sucos e frutas cítricas são bem-vindos. A maçã também é boa aliada da voz.
:: Alimentos fibrosos são adstringentes, ou seja, limpam a boca e a faringe.
:: Articule bem as palavras e use expressões faciais para evitar o abuso vocal

CORREIO BRAZILIENSE (Fonte: Zero Hora)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Para refletir...

Não eduques as crianças nas várias disciplinas recorrendo à força, mas como se fosse um jogo, para que também possas observar melhor qual a disposição natural de cada um.
(Platão)

domingo, 6 de junho de 2010

Dia do Meio Ambiente e Ecologia

Ontem foi comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente, por isso decidi trazer um texto informativo sobre este dia. Boa leitura!!!
"No dia 05 de junho comemora-se o dia do meio ambiente.

A criação da data foi em 1972, em virtude de um encontro promovido pela ONU (Organização das Nações Unidas), a fim de tratar assuntos ambientais, que englobam o planeta, mais conhecido como conferência das Nações Unidas.

A conferência reuniu 113 países, além de 250 organizações não governamentais, onde a pauta principal abordava a degradação que o homem tem causado ao meio ambiente e os riscos para sua sobrevivência, onde a diversidade biológica deveria ser preservada acima de qualquer possibilidade.

Nessa reunião, criaram-se vários documentos relacionados às questões ambientais, bem como um plano para traçar as ações da humanidade e dos governantes diante do problema.

A importância da data é devido às discussões que se abrem sobre a poluição do ar, do solo e da água; desmatamento; diminuição da biodiversidade e da água potável ao consumo humano, destruição da camada de ozônio, destruição das espécies vegetais e das florestas, extinção de animais, dentre outros.

A partir de 1974, o Brasil iniciou um trabalho de preservação ambiental, através da secretaria especial do meio ambiente, para levar à população informações acerca das responsabilidades de cada um diante da natureza.

Mas em face da vida moderna, os prejuízos ainda estão maiores. Uma enorme quantidade de lixos é descartada todos os dias, como sacos, copos e garrafas de plástico, latas de alumínio, vidros em geral, papéis e papelões, causando a destruição da natureza e a morte de várias espécies animais.

A política de reaproveitamento do lixo ainda é muito fraca, em várias localidades ainda não há coleta seletiva; o que aumenta a poluição, pois vários tipos de lixos tóxicos, como pilhas e baterias são descartados de qualquer forma, levando a absorção dos mesmos pelo solo e a contaminação dos lençóis subterrâneos de água.

É importante que a população seja conscientizada dos males causados pela poluição do meio ambiente, assim como de políticas que revertam tal situação.

E cada um pode cumprir com o seu papel de cidadão, não jogando lixo nas ruas, usando menos produtos descartáveis e evitando sair de carro todos os dias. Se cada um fizer a sua parte o mundo será transformado e as gerações futuras viverão sem riscos.

Por Jussara de Barros
Graduada em Pedagogia
Equipe Brasil Escola"

Fonte: www.brasilescola.com


sábado, 5 de junho de 2010

Uma nova ordem para a educação

Educar não é tarefa única da escola, mas o enfoque humanístico da educação confere a ela a responsabilidade de transmitir conhecimentos e ampliar os horizontes do ser humano pelo fato de ser a educação um direito fundamental do homem. Para educar, o professor necessita de qualificação e valorização profissional, e o magistério do Rio Grande do Sul já avançou neste sentido com 85% dos seus professores titulados em curso superior, mas os resultados qualitativos ainda não avançaram na mesma proporção. Isto sugere que a educação precisa ser repensada numa visão imediata de um futuro capaz de resgatar, em tempo, valores perdidos e reconhecer os direitos da pessoa humana enquanto sujeito da sua própria história.

A educação é um processo continuado e humano, uma consequência da interação com a família, do acesso aos bens culturais e da infraestrutura de uma escola. Estamos mergulhados numa violência sem precedentes dos adolescentes na escola, motivados pelo modelo cultural vigente: adultinização precoce, liberdade sexual, tolerância excessiva dos pais, falta de limites, ausência de valores éticos, morais e cristãos. Tais comportamentos induzem a agressividade e conflitos, contaminando colegas e desgastando emocionalmente o professor.

Como educar? Frente à realidade social atual, o professor necessita preparar-se emocional e cognitivamente, numa visão imediata, para buscar formas diferentes de relações interpessoais. Dentre os fatores desencadeadores de procedimentos inadequados de conduta em sala de aula, a perda da autoridade como fator de disciplina é responsável para que se crie um ambiente desajustado ao trabalho do professor. A capacitação docente supervalorizada para o êxito qualitativo da educação necessita de pilares básicos para que isso aconteça: a interação com os pais dos alunos e políticas públicas que promovam medidas disciplinares adaptadas à realidade da escola. Não basta ao professor o domínio didático curricular, mas uma formação humana que possibilite articular projeto pedagógico e projeto humano. “Educar pelos afetos” é o fio condutor para atingir uma educação de qualidade, conquistando confiança, transmitindo segurança e interagindo com o aluno através do diálogo e do respeito mútuo. Eis o grande desafio da educação pós-moderna.

A exigência de uma prova de avaliação qualitativa aos professores deveria ser discutida em seus critérios entre os educadores de cada região, respeitando as diferenças e a diversidade nacional, inclusive as linguagens culturais. Entretanto é bom pensar que a qualidade da educação não está atrelada a uma prova. O professor necessita de valorização profissional, de dignidade e investimentos maciços para tornar a escola um lugar adequado à permanência do aluno. O conceito de qualidade dá margem a muitas interpretações. É preciso acreditar para realizar mudanças, enfrentar desafios e crer na educação como um ato de fé, sem dissociar-se da “linguagem do afetos” como processo contínuo de inclusão social: uma nova ordem para a educação.


Nylza Osório Jorgens Bertoldi - Educadora emérita do Estado do Rio Grande do Sul

Fonte: Zero Hora

domingo, 23 de maio de 2010

A importância de ser um professor leitor

O professor entra na sala de aula, pergunta se os alunos leram o livro recomendado. Alguns dizem que sim, outros começam a inventar histórias enquanto os demais desconversam. Dia de prova. A professora permite consultar o livro, mas muitos alunos se saem mal porque não sabem nem em que página estaria a informação necessária para responder as questões. A cena não é agradável para um educador, mas é comum em muitas escolas brasileiras, sejam elas públicas ou particulares. Professores relatam suas experiências em blogs, páginas da internet e nas conversas no corredor do colégio e pedem auxílio a colegas e especialistas para driblar as dificuldades. Inventam artimanhas para prender a atenção dos alunos, mas esquecem que antes de ensinar a ler, é necessário tornarem-se leitores.

Na visão da pós-doutora em Linguística, Letras e Artes Marisa Lajolo, nem todo professor lê por prazer e existem ainda os que não têm acesso à leitura. “Tenho a impressão de que grande parte da formação inicial e continuada oferecida ao professor o encara mais como um ‘formador de leitores’ do que como uma pessoa que precisa ser formada como leitora”, avalia. Ela acredita que uma das melhores formas de trabalhar isso nos professores é buscar seu “histórico de leitura”. “O que leram , quando leram, do que gostaram, do que não gostaram, que experiências de leitura viveram quando eram crianças”, indica. Marisa afirma que aliar essa avaliação a discussões sólidas de questões de linguagem, de escrita e de leitura pode capacitá-los a trabalhar a leitura com seus alunos.

Doutora em Educação, Eleuza Rodrigues Maria Barboza acredita que a leitura e a escrita são a base para a aprendizagem das crianças e dos jovens. Para ela, todos os professores, independentemente da disciplina que lecionam, deveriam trabalhar com as habilidades da leitura e da escrita. “As dificuldades encontradas pelos professores vêm de uma formação que não priorizou o seu próprio desenvolvimento enquanto leitores e escritores proficientes. Saem das universidades e se deparam com uma diversidade imensa de alunos nas suas salas de aula e têm que aprender fazendo e, muitas vezes, sozinhos”, destaca.

Eleuza que agora atua como secretária de Educação de Juiz de Fora (MG), diz que toda atividade de incentivo à leitura é importante, tanto para alunos quanto para professores. Ela diz que Em Juiz de Fora, algumas escolas começaram a promover a leitura coletiva. Nela, todos os professores e alunos de uma escola trabalham com um livro de literatura previamente escolhido. “Dessa leitura derivam várias atividades que vão desde manifestações de expressão artística, representações teatrais, até atividades de outras áreas como história, geografia, matemática baseadas no livro que todos leram”, conta. Segundo ela, todos aprendem e todos acabam se desenvolvendo nas habilidades da leitura e da escrita.

Em seu trabalho no Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (Caesd) da Universidade Federal de Juiz de Fora, Eleuza observou que estudos de alguns estados mostraram que 30% dos alunos da 4ª série do ensino fundamental tinham desempenho muito baixo na leitura. Para reverter esse quadro, além de melhorar a formação dos professores, Eleuza aconselha a aliar recursos disponíveis, como a tecnologia à leitura para conseguir bons resultados. “Em uma escola em que o professor pode contar com o computador e a internet, o dinamismo das aulas cresce e o ambiente motivador abre um leque grande de possibilidade de trabalho com recursos que enriquecem tanto o professor quanto os alunos e ainda facilita a comunicação que se estabelece entre eles”, conclui.

Marisa Lajolo completa: “um professor, paradoxalmente, é um profissional que precisa ser conquistado para o exercício de suas tarefas”.

(Rafania Almeida)

Fonte: Portal do Professor (Site do MEC)

Concurso Nacional do MEC para seleção de professores da rede pública será e, 2011

O Ministério da Educação (MEC) planeja um concurso nacional para selecionar professores que desejam atuar na rede pública. A prova será em 2011 e, no primeiro momento, será destinada a docentes que tenham interesse em trabalhar com alunos dos primeiros anos do ensino fundamental e da educação infantil.

A ideia do concurso surgiu no ano passado e, segundo o Ministério da Educação, é uma demanda das próprias redes de ensino estaduais e municipais. A seleção funcionará nos moldes do atual Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): o professor faz a prova e depois poderá utilizá-la para ingressar em diferentes redes que aderirem ao processo seletivo. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) será responsável pelo exame.

“Hoje cada um faz seu concurso de forma descentralizada, contratando empresas. Nós fizemos uma pesquisa e percebemos que os conteúdos cobrados no concurso eram muito limitados, as questões eram superficiais”, explicou a coordenadora-geral de instrumentos e medidas educacionais do Inep, Gabriela Moriconi.

O órgão buscou inspiração em processos seletivos de países com bons indicadores educacionais para desenvolver o projeto do concurso nacional. “Procuramos saber quais são os padrões do que seria um bom professor, que tipo de conhecimento e habilidades ele deveria ter no momento do ingresso. Depois adaptamos às necessidades do Brasil”, explicou.

A matriz dos conteúdos que serão cobrados na prova estará disponível para consulta pública ainda essa semana. Professores, universidades, estados e municípios vão poder opinar sobre o modelo da prova durante 45 dias. Logo depois, terá início o período de adesão das redes de ensino. A ideia é que o professor, antes de fazer a prova, possa consultar quais localidades vão utilizar a nota do concurso nacional para selecionar seus profissionais. Segundo Gabriela, as secretarias de educação têm mostrado bastante interesse nesse modelo de seleção.

“Para os municípios, especialmente, é muito complicado fazer o concurso, custa muito caro. Alguns passam muito tempo sem fazer concurso, contratando professores temporários para suprir a necessidade”, afirmou.


Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Pão e circo, por André Vanoni de Godoy

A iminência de uma nova Copa cria a condição para que, uma vez mais, aflore uma conjunção de fatores muito favorável à repetição da história recente de nosso país. E, ao contrário do que muitos imaginam ou a propaganda oficial divulga, é uma história triste. Muito triste. Vamos a ela.

O Brasil tem sido cantado como um dos países de maior fortuna no conjunto das nações e, segundo contam alguns, nunca esteve tão bem econômica e socialmente. Os indicadores estariam aí para confirmar a prosa: crescimento projetado já acima dos 6%, abundante crédito ao consumidor, inflação controlada, investimentos públicos, capital internacional sendo despejado na Bovespa, pré-sal, 11 milhões de famílias atendidas pela bolsa oficial, 12 milhões de empregos gerados desde 2003.

De fato, são dados impressionantes. Mas qual é a verdade escondida por trás destes números? E quais são as estatísticas que importam realmente ao futuro da nação e que raramente são trazidas à luz? Vou ficar apenas em duas. A primeira: 50% da população não tem acesso a tratamento de esgoto. Esgoto. Esgoto! Santo Deus! Metade das famílias brasileiras despeja in natura – e não raro a céu aberto – suas fezes no mar, nos rios e lagos do país. A segunda: 75% dos brasileiros são analfabetos funcionais, isto é, têm dificuldade de leitura e, quando conseguem ler, não compreendem o que leram. É uma calamidade. É estarrecedor. Isto sem mencionar que, em pleno século 21, o país ainda enfrenta surtos de tuberculose, dengue, lepra, doenças típicas de países paupérrimos e, por óbvio, subdesenvolvidos. Então, como pode alguém intelectualmente honesto acreditar que o Brasil tem alguma chance de vencer como nação sem equacionar estes problemas? Respondo: não pode. Mas há os que, ignorando a realidade completa, professam o milagre brasileiro. São os cínicos.

E são esses mesmos que se encarregam de perpetuar-se na gerência do país, aproveitando-se da ignorância e da leniência do povo para mantê-lo num torpor convenientemente incentivado, dando origem a um paradoxo social pelo qual a sociedade é vítima e algoz dela mesma. E, convenhamos, a tarefa não é das mais difíceis. Basta dar-lhe, ao povo, pão e circo. E fica tudo como está. E a conjunção de fatores a que me referi no início? Pão e circo.

Pão. Onze milhões de famílias retiradas da miséria pela graça de um benefício cuja maior – e única – virtude, a de alimentar os pobres, se esgota em si mesma. Não produz nem ensina nada. Após quase oito anos de existência, o programa não criou condições para emancipar seus beneficiários. Não lhes deu dignidade. O que aconteceria se o programa fosse extinto? Provavelmente todos voltassem, no dia seguinte, à miséria da qual o governo finge tê-los tirado. Mas não importa, ninguém quer saber disso.

Circo. Copa do Mundo de Futebol na África em 2010. Copa do Mundo no Brasil em 2014. Olimpíadas no Brasil em 2016. Nos próximos seis anos, há diversão garantida. E dinheiro também (o mesmo que falta para escolas, hospitais, presídios e estradas), para construir estádios e maquiar as cidades-sedes dos jogos. Dinheiro que irá parar no bolso, ou nas meias, ou nas cuecas, ou até em lugar mais prosaico, dos corruptos que, perdoados pela população, estão em êxtase pelo anúncio de tantas e profusas oportunidades a permitir o livre exercício de suas maiores habilidades. Mas o que isso importa? Vamos construir coliseus e alimentar a turba! Pão e circo!

E, assim, uma vez mais, menosprezamos nossas mazelas, rimos de nossas carências e nos preparamos para deixar tudo como sempre esteve. Às custas do povo. Às custas de Roma. Dane-se a pátria de chuteiras.

Fonte: Zero Hora (20/05/2010)