sábado, 5 de junho de 2010

Uma nova ordem para a educação

Educar não é tarefa única da escola, mas o enfoque humanístico da educação confere a ela a responsabilidade de transmitir conhecimentos e ampliar os horizontes do ser humano pelo fato de ser a educação um direito fundamental do homem. Para educar, o professor necessita de qualificação e valorização profissional, e o magistério do Rio Grande do Sul já avançou neste sentido com 85% dos seus professores titulados em curso superior, mas os resultados qualitativos ainda não avançaram na mesma proporção. Isto sugere que a educação precisa ser repensada numa visão imediata de um futuro capaz de resgatar, em tempo, valores perdidos e reconhecer os direitos da pessoa humana enquanto sujeito da sua própria história.

A educação é um processo continuado e humano, uma consequência da interação com a família, do acesso aos bens culturais e da infraestrutura de uma escola. Estamos mergulhados numa violência sem precedentes dos adolescentes na escola, motivados pelo modelo cultural vigente: adultinização precoce, liberdade sexual, tolerância excessiva dos pais, falta de limites, ausência de valores éticos, morais e cristãos. Tais comportamentos induzem a agressividade e conflitos, contaminando colegas e desgastando emocionalmente o professor.

Como educar? Frente à realidade social atual, o professor necessita preparar-se emocional e cognitivamente, numa visão imediata, para buscar formas diferentes de relações interpessoais. Dentre os fatores desencadeadores de procedimentos inadequados de conduta em sala de aula, a perda da autoridade como fator de disciplina é responsável para que se crie um ambiente desajustado ao trabalho do professor. A capacitação docente supervalorizada para o êxito qualitativo da educação necessita de pilares básicos para que isso aconteça: a interação com os pais dos alunos e políticas públicas que promovam medidas disciplinares adaptadas à realidade da escola. Não basta ao professor o domínio didático curricular, mas uma formação humana que possibilite articular projeto pedagógico e projeto humano. “Educar pelos afetos” é o fio condutor para atingir uma educação de qualidade, conquistando confiança, transmitindo segurança e interagindo com o aluno através do diálogo e do respeito mútuo. Eis o grande desafio da educação pós-moderna.

A exigência de uma prova de avaliação qualitativa aos professores deveria ser discutida em seus critérios entre os educadores de cada região, respeitando as diferenças e a diversidade nacional, inclusive as linguagens culturais. Entretanto é bom pensar que a qualidade da educação não está atrelada a uma prova. O professor necessita de valorização profissional, de dignidade e investimentos maciços para tornar a escola um lugar adequado à permanência do aluno. O conceito de qualidade dá margem a muitas interpretações. É preciso acreditar para realizar mudanças, enfrentar desafios e crer na educação como um ato de fé, sem dissociar-se da “linguagem do afetos” como processo contínuo de inclusão social: uma nova ordem para a educação.


Nylza Osório Jorgens Bertoldi - Educadora emérita do Estado do Rio Grande do Sul

Fonte: Zero Hora

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