quarta-feira, 17 de março de 2010

Abaixo do piso

Levantamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), divulgado agora, inclui o Rio Grande do Sul entre os seis Estados com salários abaixo do mínimo determinado por lei para professores iniciantes, apontando-o como o de pior remuneração para educadores da rede pública estadual. Em parte, a situação é motivada pelo radicalismo de líderes do Cpers/Sindicato, que recusaram a última proposta de reajuste feita pelo governo e, sistematicamente, se opõem às iniciativas oficiais. Mas é inaceitável que um Estado que teve a melhor educação do país se encontre hoje com um sistema educacional tão degradado.

Casos pontuais, como o da escola de Uruguaiana na qual pais de alunos foram obrigados a pagar professor particular para não deixar as crianças sem aula, servem para evidenciar o descaso com que o ensino básico tem sido tratado no Estado. A saída temporária de um professor por motivo de saúde teria que ser encarada como um fato rotineiro, para o qual deveriam ser previstas soluções imediatas. O aspecto cruel é a angústia dos pais, para os quais sequer é definido um horizonte para a substituição e ainda são avisados de que as aulas emergenciais não serão validadas pela Secretaria de Educação.

A perversa combinação entre professores com a mais baixa remuneração do país e a falta de agilidade no enfrentamento de problemas pontuais no ensino público expõe um quadro dramático para o qual deveriam ser buscadas providências emergenciais. Quaisquer que sejam as soluções, é preciso que incluam melhores condições físicas e maior valorização profissional dos educadores, incluindo melhores salários.

Infelizmente, o projeto prevendo remuneração mínima para professores que têm ganhos inferiores ao piso esbarrou num impasse. Numa área tão essencial, é preciso saídas imediatas, que valorizem o ensino e os educadores.

Fonte: Zero Hora

Nenhum comentário:

Postar um comentário